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- Alegorias bíblicas em interpolações de Immortality (2022)Publication . Lemos, Adriana Falqueto; Silva, Emerson José daEste artigo traz discussões em torno dos trechos com conteúdo bíblico interpolados em Immortality (2022), jogo da produtora Half Mermaid Productions, dirigido por Sam Barlow. Trata-se de um jogo com trechos de três filmes fictícios, chamados Ambrosio (1968), Minsky (1970) e Two of Everything (1999). O que liga os três filmes é a atriz protagonista, Marissa Marcel (Manon Gage). Ao procurar pistas sobre o paradeiro da atriz, o jogador deve buscar nas filmagens, rebobinando e acelerando as fitas, momentos importantes. Além disso, o jogador encontra filmes interpolados, com personagens que contam uma história bíblica. Este texto aborda as questões a respeito da jogabilidade, relativas aos estudos feitos por Espen Aarseth (1997), e a maneira como os jogos funcionam para, em seguida, tratar as alegorias bíblicas que são encontradas nos vídeos interpolados entre as fitas. Objetiva-se, portanto, questionar como estas alegorias são representadas no jogo e que temas abordam.
- Um fazer-da-imagem em BergmanPublication . Castro, RomyNeste ensaio sobre cinema, pretendemos explorar concetualmente, o modo de fazer-da-imagem em Bergman, através de interações contemporâneas que permitem uma incorporação na experiência cinematográfica do realizador, tendo como base para criar novos entendimentos e perspetivas, a realidade apreendida das imagens-movimento do cineasta. A imagem que está sempre presente nas obras, coincide com a objetualidade das suas vivências existenciais, que se relacionam com o contexto em que ocorrem, caraterizando as mesmas com um novo modo de abordagem simbólica, onde predominam “close-ups” intensos e fusões que criam expressões específicas, que visam incorporar outras experimentações, para mostrar as questões fundamentais da experiência humana, o que torna o cinema mais autêntico, realista, possibilitador e contemporâneo, porque só o cinema, enquanto objeto de perceção e representação, possibilita o novo fazer da imagem, tornando-a linguagem universal no devir artístico deste fazer. Interrogaremos este conceito de fazer-da-imagem, uma fórmula de Samuel Beckett, seguida de considerações por Deleuze, a partir do cinema de Ingmar Bergman, revelando como a estética do realizador imprime no ecrã um novo realismo nas imagens, que apela aos sentidos, por meio de estratégias experimentais inovadoras, que suscitam o envolvimento emocional dos espetadores, num provocar que estimula afetivamente, o pensamento crítico
- Entre silêncio e a manipulação: Bergman e a censura em Portugal, anos 60Publication . Rebelo, AntónioPartimos da ideia de território, conceito e temática central deste Encontro. Desde logo, esta noção tem uma origem etimológica complexa, mas esclarecedora: a sua raiz principal, originária do latim territorium, é formado pelos étimos: - terra -, significando “solo”, “região”, “país”; - torium -, um sufixo que indica um lugar associado a uma acção. Assim, territorium expressava originalmente “a extensão de terra pertencente a uma cidade ou Estado”. É justamente neste domínio concreto - o Estado Novo, com implicações políticas, sociais, éticas e morais - que se pretende falar de Bergman e dos filmes exibidos entre nós. Importa então afirmar que este estudo - “ENTRE O SILÊNCIO E A MANIPULAÇÃO: BERGMAN E A CENSURA EM PORTUGAL, ANOS 60” -, começa por contextualizar a situação existente em Portugal, cuja menção não é de ordem geográfica, mas de jurisdição de uma comunidade, e fá-lo balizando, nessa abordagem, a realidade da década de 60. Destacando-se este território específico, configura-se um contexto singular de censura e recepção cinematográfica, da responsabilidade do Estado Novo, distinto do que ocorria noutros países europeus. Deste modo, propomo-nos trazer ao conhecimento um conjunto exemplificativo de filmes, exibidos em circuito comercial, sujeitos a constrangimentos ao nível da distorção ou da supressão de legendas, bem como a cortes efectuados nos fotogramas das películas. A escolha dos filmes, dentro da obra cinematográfica de Bergman, marcada por interrogações existenciais, procura dar relevo a dois eixos essenciais que caracterizaram o regime: a moral tradicional e a instituição igreja católica, sendo mostrados vários exemplos dos constrangimentos atrás enunciados, no quadro censório do Estado Novo, que controlava a circulação de ideias e imagens consideradas subversivas ou imorais. Com isto, há uma tese a fundamentar: reconhecer que a maioria dos filmes de Bergman exibidos em Portugal não foi proibida, mas apresentada mediante alterações significativas. Tornam-se, assim, as acções desse quadro censório o principal objeto de análise, reflexão e comentário crítico deste estudo.
