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University of Madeira Institutional Repository
Recent Submissions
Carlos Manuel Nogueira Fino/O longo Rio Dniepre
Publication . Rodrigues, Liliana; Rodrigues, Liliana
Ensaio psicanalítico do filme Sonata de Outono (1979)
Publication . Santos, Maria Eduarda dos
O ensaio propõe uma leitura psicanalítica do filme Sonata de Outono (1979),
dirigido por Ingmar Bergman, cineasta reconhecido por sua singularidade ao explorar a
alma humana por meio de intensos close-ups e do uso expressivo de luz e sombra -
elementos que frequentemente revelam o íntimo dos personagens. O trabalho foca-se no
núcleo central do filme: a relação conturbada entre mãe e filha, e como essas feridas se
originam na infância e se prolongam até a vida adulta, evidenciando o impacto do cuidado
materno no desenvolvimento saudável da filha. Destaca-se, assim, como o processo de
individualização e a construção da imagem de si, refletida no espelho, podem ser
profundamente comprometidos, influenciando a estruturação da baixa autoestima e da
insegurança latente diante o outro.
Territórios do corpo arqueométrico: poder, doença e finitude em Bergman
Publication . Paola, Grécia
“Territórios do Corpo Arqueométrico: Poder, Doença e Finitude em Bergman”
propõe uma leitura dos espaços físicos, psicológicos e simbólicos dos filmes Morangos
Silvestres e Gritos e Sussurros, de Ingmar Bergman, através do conceito de “corpo
arqueométrico” (Matos, 2025). Ao articular biopoder e necropoder através do cinema de
Bergman, questionamos quem exerce poder sobre o corpo e quem testemunha a sua
deterioração: quem o vê, quem o mede e quem administra a morte. Através desta
autoetnográfica, reflete-se sobre as oscilações do corpo doente a partir da vivência da
autora como pessoa com diabetes tipo 1 e sobre a sua inscrição na experiência constante
da medição. O conceito de “corpo arqueométrico” é mobilizado como ferramenta
analítica através da luz, da cor, do som e do enquadramento, elementos que operam
enquanto métricas sensoriais para ler o corpo doente. A doença crónica ou prolongada
apresenta uma relação intrínseca com a temporalidade e com o lugar e valor atribuídos
aos corpos doentes. Este enquadramento permite ainda explorar a relação intertextual
entre cinema, artes plásticas e performatividade a partir de Pina Bausch, Robert Gober,
Michael Landy e da produção artística autoral, estabelecendo diálogos entre corpo,
finitude e poder.
Um fazer-da-imagem em Bergman
Publication . Castro, Romy
Neste ensaio sobre cinema, pretendemos explorar concetualmente, o modo de
fazer-da-imagem em Bergman, através de interações contemporâneas que permitem uma
incorporação na experiência cinematográfica do realizador, tendo como base para criar
novos entendimentos e perspetivas, a realidade apreendida das imagens-movimento do
cineasta. A imagem que está sempre presente nas obras, coincide com a objetualidade das
suas vivências existenciais, que se relacionam com o contexto em que ocorrem,
caraterizando as mesmas com um novo modo de abordagem simbólica, onde predominam
“close-ups” intensos e fusões que criam expressões específicas, que visam incorporar
outras experimentações, para mostrar as questões fundamentais da experiência humana,
o que torna o cinema mais autêntico, realista, possibilitador e contemporâneo, porque só
o cinema, enquanto objeto de perceção e representação, possibilita o novo fazer da
imagem, tornando-a linguagem universal no devir artístico deste fazer. Interrogaremos
este conceito de fazer-da-imagem, uma fórmula de Samuel Beckett, seguida de
considerações por Deleuze, a partir do cinema de Ingmar Bergman, revelando como a
estética do realizador imprime no ecrã um novo realismo nas imagens, que apela aos
sentidos, por meio de estratégias experimentais inovadoras, que suscitam o envolvimento
emocional dos espetadores, num provocar que estimula afetivamente, o pensamento
crítico
Entre silêncio e a manipulação: Bergman e a censura em Portugal, anos 60
Publication . Rebelo, António
Partimos da ideia de território, conceito e temática central deste Encontro.
Desde logo, esta noção tem uma origem etimológica complexa, mas esclarecedora: a sua
raiz principal, originária do latim territorium, é formado pelos étimos: - terra -,
significando “solo”, “região”, “país”; - torium -, um sufixo que indica um lugar associado
a uma acção. Assim, territorium expressava originalmente “a extensão de terra
pertencente a uma cidade ou Estado”. É justamente neste domínio concreto - o Estado
Novo, com implicações políticas, sociais, éticas e morais - que se pretende falar de
Bergman e dos filmes exibidos entre nós. Importa então afirmar que este estudo - “ENTRE
O SILÊNCIO E A MANIPULAÇÃO: BERGMAN E A CENSURA EM PORTUGAL, ANOS 60” -,
começa por contextualizar a situação existente em Portugal, cuja menção não é de ordem
geográfica, mas de jurisdição de uma comunidade, e fá-lo balizando, nessa abordagem, a
realidade da década de 60. Destacando-se este território específico, configura-se um
contexto singular de censura e recepção cinematográfica, da responsabilidade do Estado
Novo, distinto do que ocorria noutros países europeus. Deste modo, propomo-nos trazer
ao conhecimento um conjunto exemplificativo de filmes, exibidos em circuito comercial,
sujeitos a constrangimentos ao nível da distorção ou da supressão de legendas, bem como
a cortes efectuados nos fotogramas das películas. A escolha dos filmes, dentro da obra
cinematográfica de Bergman, marcada por interrogações existenciais, procura dar relevo
a dois eixos essenciais que caracterizaram o regime: a moral tradicional e a instituição
igreja católica, sendo mostrados vários exemplos dos constrangimentos atrás enunciados,
no quadro censório do Estado Novo, que controlava a circulação de ideias e imagens
consideradas subversivas ou imorais. Com isto, há uma tese a fundamentar: reconhecer
que a maioria dos filmes de Bergman exibidos em Portugal não foi proibida, mas
apresentada mediante alterações significativas. Tornam-se, assim, as acções desse quadro
censório o principal objeto de análise, reflexão e comentário crítico deste estudo.
