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- Da infoexclusão à cidadania digital: um estudo de casoPublication . Alves, Alexandra Leonor Vieira; Pereira, Maria Gorete Gonçalves RochaEste estudo tem como objetivo principal compreender a infoexclusão enquanto problema social no concelho do Funchal, com foco específico na população com mais de 65 anos. Pretende-se investigar se esta faixa etária está efetivamente infoexcluída e analisar as estratégias formativas atualmente aplicadas para a capacitação no domínio das competências digitais. Num mundo globalizado, a maior parte da população nasceu imersa em ferramentas e dispositivos digitais. No entanto, a população mais envelhecida não conseguiu acompanhar o ritmo acelerado do desenvolvimento tecnológico, originando o fenómeno da infoexclusão, que decorre da falta de competências para aceder aos serviços online. Este fenómeno está diretamente relacionado com o avanço das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC), que promoveram a digitalização dos serviços para facilitar o acesso da população em geral. Desta forma, investir na educação e qualificação dos idosos torna-se imprescindível para o desenvolvimento de competências digitais, garantindo a sua inclusão social e o exercício pleno da cidadania digital. Face ao exposto, para a pesquisa, considerou-se utilizar uma metodologia de investigação qualitativa, recorrendo à análise documental e a entrevistas semiestruturadas como técnicas de recolha de dados. Para interpretar os resultados utilizou-se a análise de conteúdo juntamente com a triangulação dos dados. As conclusões desta investigação apontam para a relevância das iniciativas do Município do Funchal na promoção da inclusão digital dos idosos, evidenciando o contributo das aulas de literacia digital para o desenvolvimento de competências e para o envelhecimento ativo. Embora persistam desafios, conclui-se que o município tem desempenhado um papel determinante na construção de uma cidadania digital mais participativa e inclusiva.
- Estudo sociolinguístico: perceções, crenças e atitudes dos madeirenses face a determinados regionalismos lexicaisPublication . Gonçalves, Silvana da Silva; Bazenga, Aline Maria Pinguinha França; Nunes, Naidea NunesEste estudo enquadra-se na área da dialetologia e da sociolinguística variacionista. Trata-se do estudo qualitativo e quantitativo dos vocábulos: olho de boi, tratuário, migar, cangueira, trogalho e embulhar, do ponto de vista do seu conhecimento e desconhecimento por parte dos madeirenses. Pretende-se contribuir para a compreensão e a valorização principalmente de regionalismos madeirenses, que constituem elementos da identidade cultural e social da população da ilha da Madeira. Assim, procurou-se observar o reconhecimento ou não identificação de 12 palavras, tendo em consideração a influência das variáveis sociais – idade, sexo e escolaridade – e da variável geográfica concelho de residência. A metodologia utilizada permitiu a abordagem qualitativa e quantitativa dos dados recolhidos, através do uso de um questionário lexical disponibilizado online, tendo-se obtido 258 inquéritos respondidos por informantes madeirenses residentes em diferentes concelhos da ilha da Madeira, sobretudo do Funchal. Seguiram-se, em maior número de respostas, os municípios limítrofes de Santa Cruz e de Câmara de Lobos. Os restantes concelhos apresentaram respostas residuais, não tendo nenhum informante do município do Porto Moniz e a ilha do Porto Santo não foi incluída. Foram filtrados os dados recolhidos por género, 166 mulheres e 92 homens; por faixa etária, nomeadamente os informantes dos 18 aos 35 anos, dos 36 aos 55 anos e com 56 ou mais anos; e por níveis de escolaridade, ensino básico, ensino secundário e ensino superior. A análise centrou-se na identificação de padrões de conhecimento e atitudes linguísticas dos inquiridos face aos vocábulos testados, depreendendo-se a respetiva perceção de identidade madeirense. Concluiu-se que os inquiridos adultos, com mais de 36 anos, do sexo feminino, mais escolarizados e residentes no Funchal são os que mais conhecem os vocábulos. Por outro lado, os inquiridos mais jovens, com menos de 35 anos, do sexo masculino, menos escolarizados e residentes fora do Funchal e dos seus concelhos limítrofes são os que menos os conhecem. Contudo, importa salientar que estes correspondem ao menor número de inquiridos, devido às limitações de informantes por concelhos, faixas etárias e níveis de escolaridade. Apesar disso, é inegável o grande conhecimento dos vocábulos analisados pelos informantes adultos, mais escolarizados e residentes no Funchal. O estudo mostra também quais são os vocábulos menos conhecidos, que tendem a cair em desuso (arcaísmos), a par dos que têm maior vitalidade e são afirmação de “madeirensidade” ou identidade regional madeirense.
