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Orientador(es)
Resumo(s)
This volume of «Cadernos do Território» presents two studies documenting the complex trajectory of
couscous on Madeira Island, challenging the theory of its direct introduction by enslaved populations from
the Maghreb. The first study establishes a comparative basis through a corpus of recipes (1930s–present),
whose technical affinities suggest a «top-down» transmission originating from early-modern aristocratic Ibero
Christian matrix shared with other surviving traditions in Portuguese territory, namely those in the Azores
and Trás-os-Montes. The second study, based on ethnographic fieldwork conducted in 2023 in Funchal,
bridges the gap between the capital's historical sources and the records of traditional know-how in the rural
world. The work demonstrates that the survival of this heritage resulted from successive mutations and
ruptures: from the aristocratic sphere to the countryside and, finally, from local agricultural production to a
dependence on global flows, a process marking the decline of cereal cultivation in the region and the
consequent loss of agrodiversity.
Este volume dos «Cadernos do Território» apresenta dois estudos que documentam a complexa trajetória do cuscuz na ilha da Madeira, desafiando a tese de uma introdução direta por populações escravizadas do Magrebe. O primeiro estudo estabelece uma base comparativa através de um corpus de receitas (década de 1930 – presente), cujas afinidades técnicas sugerem uma transmissão top-down com origem nas mesas nobres da Idade Moderna — uma matriz ibero-cristã comum a outras sobrevivências em território português, nomeadamente nos Açores e em Trás-os-Montes. O segundo estudo, assente em trabalho de campo etnográfico realizado em 2023, no Funchal, faz a ponte entre as fontes históricas da «Cidade» e os registos do saber-fazer no mundo rural. A obra demonstra que a sobrevivência deste património resultou de sucessivas mutações e ruturas — da esfera aristocrática para o campo e, finalmente, da produção agrícola local para a dependência de fluxos globais, processo que assinala o declínio do cultivo de cereais na região e a consequente perda de agrodiversidade.
Este volume dos «Cadernos do Território» apresenta dois estudos que documentam a complexa trajetória do cuscuz na ilha da Madeira, desafiando a tese de uma introdução direta por populações escravizadas do Magrebe. O primeiro estudo estabelece uma base comparativa através de um corpus de receitas (década de 1930 – presente), cujas afinidades técnicas sugerem uma transmissão top-down com origem nas mesas nobres da Idade Moderna — uma matriz ibero-cristã comum a outras sobrevivências em território português, nomeadamente nos Açores e em Trás-os-Montes. O segundo estudo, assente em trabalho de campo etnográfico realizado em 2023, no Funchal, faz a ponte entre as fontes históricas da «Cidade» e os registos do saber-fazer no mundo rural. A obra demonstra que a sobrevivência deste património resultou de sucessivas mutações e ruturas — da esfera aristocrática para o campo e, finalmente, da produção agrícola local para a dependência de fluxos globais, processo que assinala o declínio do cultivo de cereais na região e a consequente perda de agrodiversidade.
Descrição
Palavras-chave
Madeira couscous Traditional techniques Archaeology of know-how Discontinuity Food heritage Agrodiversity Cuscuz da Madeira Técnicas tradicionais Arqueologia do saber-fazer Descontinuidade Património alimentar Agrodiversidade . Escola Superior de Tecnologias e Gestão Faculdade de Artes e Humanidades
